Maternidade em tempos de coronavírus.
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- 28 de jul. de 2020
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GESTAÇÃO E CORONAVIRUS
Estou grávida em tempos de Coronavírus e agora?
Tanto para a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) quanto para a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmam que as gestantes juntamente com pessoas com doenças pulmonares, idosos, diabéticos, pessoas com doenças cardiovasculares crônicas e pessoas com outras doenças crônicas ou graves e também imunodeficientes, fazem parte do grupo de risco para o coronavírus.
Assim, no Boletim Epidemiológico nº 7 do Ministério da Saúde do dia 06 de abril de 2020, as gestantes de alto risco, que possuem hipertensão, diabetes e algumas outras comorbidades, são classificadas como de risco para desenvolvimento de complicações e casos graves.
Segundo a Nota técnica nº 06/2020 do Ministério da Saúde que trata das orientações a serem adotadas na atenção à saúde das gestantes no contexto da pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2), publicada em 25.03.2020, até o momento, o SARS-CoV-2 não parece se associar a risco de maior gravidade em gestantes, mesmo que a maioria dos casos descritos na literatura científica tratem de mulheres na segunda metade da gestação.
Além disso, o quadro clínico observado em gestantes com a SARS-CoV-2 é semelhante ao observado em adultos não gestantes, bem como taxas de complicações e de evolução para casos graves (aproximadamente 5% dos casos confirmados). Entre os sintomas mais comumente apresentados estão a febre e tosse.
Estou grávida, por que faço parte do grupo de risco para Coronavírus?
As gestantes já costumam ter maiores dificuldades para respirar à medida que a gravidez vai evoluindo, pois quanto mais o bebê cresce mais a região torácica fique menor, dificultando a expansão do pulmão e levando a falta de ar. Portanto, qualquer doença respiratória não é bem-vinda quando se está esperando um filho.
Estou grávida, como posso me prevenir?
Os principais cuidados para as gestantes são, além de todos já falados anteriormente:
Evitar ao máximo o contato com pessoas doentes;
Limpar e desinfetar os objetos que são tocados com maior frequência;
Evitar sair de casa desnecessariamente, porque são mais fragilizadas para complicações;
Usar máscaras, como opção, principalmente quando estiverem em locais muito aglomerados, porém ela só é eficaz quando combinada com a higienização das mãos.
Além disso, convém lembrar que a vacina contra gripe na gestação não previne o coronavírus, porém ela é primordial para proteger as gestantes e os bebês, evitando confusões com os quadros com o COVID-19.
O coronavirus pode ser transmitido ao bebê na gestação?
Segundo documento que dispõe sobre as Recomendações para Assistência ao Recém-Nascido na sala de parto de mãe com COVID-19 da SBP publicada em 01.04.2020, apesar do risco potencial de transmissão vertical mãe-concepto, até o momento, os estudos com base em série de casos extremamente limitada não demonstraram a presença do vírus na placenta, líquido amniótico, sangue de cordão ou leite materno. Todos os autores que relataram casos de RN que desenvolveram a doença concluem provável aquisição pós-natal.
Inclusive, no último dia 03.04.2020, houve um óbito de bebê com 3 meses no estado do Ceará com diagnóstico de coronavírus.
Os relatos de séries de casos, provenientes em geral do primeiro epicentro da epidemia, a China, sugerem que, diferentemente dos adultos, as crianças, em especial, o RN apresentam um curso clínico mais brando; a maioria dos casos relatados com RT-PCR (Real-Time Polymerase Chain Reaction) positivo para o SARS-CoV-2 evoluíram de forma assintomática ou oligossintomática, isto é, poucos sintomas.
Entretanto, ressalta-se que a China relatou 9 gestantes com COVID-19 no terceiro trimestre de gestação. Quatro delas iniciaram sintomas antes do parto, duas os sintomas surgiram no dia do parto e três delas o quadro clínico manifestou-se após o parto. O prognóstico materno foi considerado bom, com recuperação de todas elas, apesar de todas terem apresentado pneumonia, nenhuma veio a óbito. Todos os partos foram cesáreos. Já o prognóstico perinatal não foi tão bom, apesar de não haver nenhuma criança com índice de Apgar de 5º minuto menor que 8. A taxa de nascimentos pretermo foi elevada e houve morte de um dos neonatos, que nasceu pretermo e complicou com hemorragia digestiva. O exame de biologia molecular não confirmou a presença do SARS-CoV-2 em nenhum deles. Os autores fazem a ressalva de que nesta casuística não houve transmissão vertical, mas o pequeno número de casos não permite esta conclusão de forma imperativa.
No Brasil, uma gestante de 33 anos, grávida de 32 semanas, faleceu no último dia 05.04.2020 com diagnóstico de Coronavírus em Recife. O bebê foi retirado por meio de uma cesárea de emergência e segue internado na Unidade de saúde.
Estou grávida, como posso saber os sintomas do coronavírus?
As gestantes apresentam os mesmos sintomas do restante da população, que são semelhantes aos da gripe, basicamente febre, tosse e problemas respiratórios leves a graves.
Ao apresentar esses sintomas, a gestantes deve entrar em contato com o seu médico para saber quais os cuidados necessários. Se forem sintomas leves, a mesmas deverão fazer isolamento domiciliar.
Segundo, o Ministério da Saúde, a gestante é considerada SUSPEITA em duas situações:
Situação 1 – VIAJANTE: pessoa que, nos últimos 14 dias, retornou de viagem internacional de qualquer país E apresente:
Febre E
Pelo menos um dos sinais ou sintomas respiratórios (tosse, dificuldade para respirar, produção de escarro, congestão nasal ou conjuntival, dificuldade para deglutir, dor de garganta, coriza, saturação de O2 < 95%, sinais de cianose, batimento de asa de nariz, tiragem intercostal e dispneia); OU
Situação 2 – CONTATO PRÓXIMO: pessoa que, nos últimos 14 dias, teve contato próximo de caso suspeito ou confirmado para COVID-19 E apresente:
Febre OU
Pelo menos um sinal ou sintoma respiratório (tosse, dificuldade para respirar, produção de escarro, congestão nasal ou conjuntival, dificuldade para deglutir, dor de garganta, coriza, saturação de O2 < 95%, sinais de cianose, batimento de asa de nariz, tiragem intercostal e dispneia).
A gestante é considerada como PROVÁVEL caso quando:
Situação 3 – CONTATO DOMICILIAR: pessoa que, nos últimos 14 dias, resida ou trabalhe no domicílio de caso suspeito ou confirmado para COVID-19 E apresente:
Febre OU
Pelo menos um sinal ou sintoma respiratório (tosse, dificuldade para respirar, produção de escarro, congestão nasal ou conjuntival, dificuldade para deglutir, dor de garganta, coriza, saturação de O2 < 95%, sinais de cianose, batimento de asa de nariz, tiragem intercostal e dispneia) OU
Outros sinais e sintomas inespecíficos como: fadiga, mialgia/artralgia, dor de cabeça, calafrios, gânglios linfáticos aumentados, diarreia, náusea, vômito, desidratação e inapetência.
A CONFIRMAÇÃO é por exame laboratorial de caso suspeito ou provável com resultado positivo em RT-PCR em tempo real, pelo protocolo Charité.
Estou grávida, preciso tomar a vacina da gripe?
Sim, pois evita que a pessoa tenha outros tipos de doenças respiratórias, como a doença causada pelo H1N1 muito comum em grávidas.
Busque orientação de como vacinar em segurança. Em caso de fila, mantenha uma distância de, pelo menos, 2 metros dos demais, principalmente de os idosos. Informe-se se na sua cidade haverá uma estratégia de vacinação diferenciada.
Estou grávida, como fica meu pré-natal?
Segundo a Nota Técnica nº 6/2020 da COSMU/CGCIVI/DAPES/SAPS/MS que trata das orientações a serem adotadas na atenção à saúde das gestantes no contexto da pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2) publicada em 26.03.2020, os serviços de saúde em geral, e, portanto, também na atenção pré-natal e maternidades, deve ser instituída uma triagem de sintomas respiratórios e fatores de risco.
Dessa forma, a essa nota recomenda a continuidade das ações de cuidado pré-natal de todas as gestantes assintomáticas, resguardado o zelo com a prevenção de aglomerações, com as melhores práticas de higiene, e com o rastreamento e isolamento domiciliar de casos suspeitos de síndrome gripal.
Nilza Pinheiro Enfermeira obstetra
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